segunda-feira, 6 de junho de 2011

Conversa 7

- Sabe o que mais me magoa, disso tudo?
Uma pausa dramática, para o efeito da conversa. Ela podia amadurecer o quanto fosse, mas sempre ia gostar do drama.
- Ele deu chances pra outras pessoas antes. Deu chance pra uma que chifrou ele no carnaval. Correu atrás de uma maluca que conferia a vida dele no telemarketing da TIM. Deu chance pra outra que deu um toco nele avisando que seria melhor pararem de se ver porque o outro cara que ela tava saindo não estava gostando.
- Uau.
- E eu. Namoramos dois anos que pareceram cinco. Compartilhamos a nossa vida. Fizemos planos. Viajamos juntos. Conhecemos a família um do outro. Nos demos apoio em momentos difíceis. E eu... e pra isso tudo, ele não consegue dar uma chance? É isso que me magoa.
Uma pausa dramática.
- Talvez exatamente por causa disso, ele não queira dar outra chance.
- Como assim?
- Porque pode ser, de novo, não conheço o cara, mas pode ser que você seja mais especial do que elas. Pra ele, você foi e é muito mais do que elas foram.
- É...
- Quanto mais a gente gosta de alguém, mais damos carta branca para essa pessoa fazer o que quiser conosco. Abrimos as portas, damos todas as oportunidades. Às vezes, o que ele sentiu por você foi tão maior do que com elas, que mesmo que você não faça nada enorme, como o que elas fizeram, mesmo que seja algo pequeno, isso vai magoá-lo muito mais do que se fosse com elas. Pelo simples fato de que, com você, era diferente. Era amor.

Conversa 6

- Uma coisa que eu aprendi na vida é que nunca se pode confiar no que as pessoas dizem. Elas podem mentir, elas podem falar por falar, elas podem não ter pensado direito antes de falar. Às vezes, elas falam algo que não sentem.
- Com certeza, mas eu não tenho como...
- ...ficar tentando adivinhar o que é a verdade.
- Isso.
- Não pode mesmo.
- Então eu prefiro acreditar no que as pessoas falam.
Já escurecia. Ela nem tinha imaginado que ia bater um papo tão denso com ele, logo ele, mas acordara pra baixo e sem nenhuma vontade de curtir o dia. Precisava falar.

domingo, 5 de junho de 2011

Conversa 5

Ela já estava se sentindo um pouco chata, trazendo sempre o mesmo assunto quando estava com os amigos. A questão era que ela não conseguia pensar por si mesma, era tudo muito confuso, e a experiência a tinha feito entender que às vezes é preciso ver vários ângulos de uma situação. Aquele era o caso.
- A pior coisa a fazer agora é insistir.
- Você acha?
- Claro. Você teve o seu tempo, ele tem o direito de ter o dele.
- Só tenho medo dele esquecer de vez de mim, com a distância.
- Se acontecer, é porque ele não valia a pena desde o começo.
O casal era lindo. Enquanto ele falava, ela olhava profundamente para suas feições, com um olhar de admiração pelas palavras que saíam da boca dele, como se soubesse a maturidade impressa naquelas frases e o quanto aquilo a deixava orgulhosa. Enquanto conversava, ele tinha aquele tom de desculpas na voz, como se tudo o que dissesse para a amiga, na verdade, fosse para a namorada. Era lindo.
- O nosso maior erro foi continuar nos vendo, continuar ficando. Forçando uma coisa que não estava no momento de acontecer. Eu estava na sua fase, não estava bem, saí de perto porque sempre fui muito sincero com ela. E ela sofrendo. Quando ela se acostumou com a ideia de ficar sem mim, eu entendi que não queria ficar sem ela. E daí era ela que não queria mais.
- Já ouvi isso antes.
- Eu sei, é parecido. O fato é que isso é necessário para ele, nesse momento. Então, dê isso a ele e a você também.
Ela desviou o olhar. Não importava quantas vezes escutasse aquilo, ainda ia doer da mesma forma.
- O que me deixa triste, triste demais, é que eu sei que se a gente tentasse de novo agora, ia dar tudo certo. Eu sei, do fundo do meu coração. Sabe quando você sabe do fundo do seu coração?
Ele sorriu levemente em solidariedade.
- Você diz isso por você. Não dá pra dizer isso pelos outros.

sábado, 4 de junho de 2011

Conversa 4

- Você não pode esperar que ele seja o seu cavaleiro numa armadura dourada o tempo todo.

Conversa 3

- Eu e você, somos um tipo diferente de mulher. Não temos frescuras, gostamos de coisas de menino, conversamos de boa sobre tudo, não temos mimimi com sexo. Acha mesmo que é fácil encontrar outras gurias assim por aí?
- É mesmo, nunca tinha pensando por essa perspectiva.
- Faz você se sentir bem - ela tomou mais um gole daquele néctar negro e amargo. Porque mesmo ela tinha pedido a cerveja preta?
- Mas pode ser que ele ache uma outra assim também.
- Pode. Mas daí eu te garanto que haverão muitos outros peixes no oceano querendo mulheres como nós.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Conversa 2

- Ele me disse para continuar do jeito que eu estava. Porque eu estava bem, sabe.
- Concordo com ele. Você tem que ir viver a sua vida e deixar isso pra lá. Não é fácil, eu sei, mas é o melhor. Eu sei porque já passei por isso e foi o dobro do tempo de relacionamento.
O cigarro acabou e ele acendeu outro. Ela continuava encostada na fria parede do prédio recém-construído, olhando para os apartamentos ao alto. Estratégia para não chorar. Já havia chorado demais.
- Eu só não consigo entender como ele conseguiu esquecer esse amor que ele dizia ser tão grande em um mês.
- Não esqueceu. Ele ainda gosta de você, tanto que está sendo sincero contigo. Senão ele poderia muito bem inventar um caô qualquer e te usar como friendly fuck. Ele está magoado com o término e inconscientemente está descontando de volta em você, agora que a situação se inverteu. De verdade? Não corre atrás. Se você correr atrás, ele vai encher o saco, enjoar de você e você vai ter perdido seu tempo. Se for pra vocês voltarem, ele vai vir atrás de você quando a vida dele estiver melhor.
- Mas eu tenho medo... porque ele está tão aberto a conhecer novas pessoas. Eu nunca vi isso. Tenho medo dele encontrar alguém melhor do que eu.
- Não vai.
- Por que?
- Porque não vai.

Conversa 1

- E foi isso.
O meio sorriso foi completamente forçado, mas valia para tirar um pouco do clima.
- É. Pois é. Eu repito o que te disse antes.
- O quê?
- Que você tem que continuar do jeito que você estava. Você estava bem, estava curtindo. Você tem que continuar assim, continuar vivendo a sua vida.
- Eu não vou parar de viver minha vida. Eu só queria que ele estivesse nela também.
- Eu sei, mas não tem nada que você possa fazer agora.
Ela abaixou a cabeça fingindo que estava preocupada com as formigas escalando sua perna. Era um artifício para a fuga do olhar.
- Não tem mesmo.
- Eu sei que isso é chato... não falei que era fácil ou tranquilo, isso é uma merda. Mas você tem que continuar a sua vida. Isso tudo não quer dizer as coisas que sua cabeça devem estar inventando, na sua paranoia. Às vezes, é isso mesmo que ele falou e da mesma forma que você teve a liberdade de acabar para melhorar sua vida, ele também tem. Eu sei que dói pensar assim, que é uma merda, mas também é a verdade. Se for para vocês ficarem juntos, quando isso passar, ele vai voltar pra você. E se não voltar, é porque não valia a pena.