Ela vivia seguindo um princípio básico de existência: ser sempre bem sincera com o parceiro. Primeiro, porque era mais fácil que mentir e ter que se lembrar de esconder a mentira. Segundo, porque ela acreditava que ninguém gostaria de viver ao lado de uma pessoa que esconde e mente qualquer besteira. Claro, como o mundo não está acostumado com a verdade, ela se continha até que achava ter intimidade o suficiente com a pessoa para começar a ser honesta.
Nos últimos tempos, a honestidade a tinha custado muito. Especificamente, ela tinha se fodido. Inclusive, jogaram na cara dela que ela disse não-sei-o-quê no dia-tal que magoou muito. Ao que ela pensou "mas ué, ele preferia que eu tivesse mentido, criado uma relação escondida com a pessoa, porque não podia falar a verdade para ele?". Ela achava que tinha feito da maneira mais correta possível, mas também não se acha mais nada hoje em dia.
Acabou desistindo de ser honesta por uns dias. Não deu certo, se sentia reprimida, pouco "ela mesma". "Se é pra ser assim, que não seja", e ela completava: "Quero é ver quando ele estiver com uma pessoa normal que mente, esconde e trapaceia, se vai achar isso bonito".
Honestamente, né.
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